AS CRUZADAS

 

 

BÊNÇÃO ESPECIAL  

 

Editorial do dia 8 de Março de 2015  

 

Nesta Página da Amen, pode encontrar a abordagem dO Tema Global de

AS CRUZADAS

ÍNDICE 

 O que foram as Cruzadas

 Pequena História das Cruzadas

 As Cruzadas do Ocidente

() Cruzada da Península Ibérica

() Cruzada Albigense de 1208

 As Cruzadas do Oriente - 1095 - 1270

() Cruzada Popular de 1095 a 1096

() Primeira Cruzada de 1096 a 1099

      (()) A criação das Ordens Militares

            A Ordem dos Templários

 () Segunda Cruzada de 1147 a 1149

() Terceira Cruzada de 1189 a 1192

() Quarta Cruzada de 1202 a 1204

() Quinta Cruzada de 1216 a 1221

() Sexta Cruzada de 1228 a 1229

() Sétima Cruzada de 1248 a 1251

() Oitava Cruzada de 1270

() Era pós Cruzadas

 A última Cruzada, a Batalha de Lepanto

 Conclusões

 

 

 

 

 O que foram as Cruzadas

Chama-se Cruzada a qualquer uma das Expedições Religiosas e Militares levadas a cabo pelos valorosos guerreiros Católicos e de suas Ordens Militares, durante os séculos XI, XII e XIII, com origem na Europa Ocidental, com o intuito de libertar os territórios, e em particular, a Terra Santa  da cruel ocupação Muçulmana. Eram, já naquele tempo, tal como hoje em dia, a origem de todo o mal, o Islamismo e os Muçulmanos.

Assim, podem considerar-se a existência das Cruzadas do Ocidente e as Cruzadas do Oriente.

Mapa do domínio Muçulmano antes e depois das Cruzadas

As Cruzadas do Ocidente foram bem sucedidas, e os territórios da Península Ibérica conquistados aos Muçulmanos, os Mouros, foram definitivas, tendo eles sido expulsos para o Norte de África, de onde não voltaram a sair.

As Cruzadas do Oriente, em termos globais e temporais acabaram por ser mal sucedidas, porque os Muçulmanos acabaram por reconquistarem todos os territórios dos quais foram expulsos pelos Cruzados, que só permaneceram neles algumas décadas.

Por estes 2 Mapas se pode ver que a única diferença foi a Península Ibérica ter sido libertada do jugo dos Muçulmanos.

O termo Cruzadas não era conhecido no tempo em que ocorreram. Na época era usada, entre outras, a expressão de "Guerra Santa". O termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam Soldados de Cristo, distinguidos pela Cruz aposta nas suas roupas.  

Cruzados - Soldados de Cristo

 

 

 Pequena História das Cruzadas

Numa panorâmica alargada, podemos considerar que as Cruzadas visaram dois territórios distintos:

- As Cruzadas do Ocidente foram dirigidas contra os Muçulmanos que ocupavam a Península Ibérica, portanto no Ocidente da Europa.

- As Cruzadas do Oriente foram contra os Muçulmanos que ocuparam a Terra Santa, isto é, no Oriente da Europa e Médio Oriente.

 As Cruzadas do Ocidente

As Cruzadas do Ocidente foram as muitas e longas lutas travadas na Península Ibérica em terras de Portugal e Espanha. Considero que elas foram as únicas Cruzadas inteiramente bem sucedidas, porque as conquistas territoriais aos Mouros não foram revertidas no futuro, tal como no Médio Oriente. Será talvez mais correcto usar o termo de Cruzada do Ocidente, pois ela foi uma luta contínua que durou várias décadas. Esta verdadeira Cruzada do Ocidente, também conhecida como a Reconquista, teve início no século VIII.

() Cruzada da Península Ibérica

Se bem que a noção de Cruzada e de Guerra Santa só surgiu mais tarde, com as Cruzadas do Oriente, após o Sínodo de Clermont, em 1095, os Reinos Ibéricos lutaram contra os Mouros neste espírito de luta e libertação do jugo Muçulmano.

A Reconquista de todo o território Peninsular durou cerca de sete séculos.

Em Espanha, a Reconquista só terminou com a conquista definitiva do último califado muçulmano de Granada, pelos Reis Católicos, em 1492.

Em Portugal, a Reconquista terminou da cidade de Faro pelas forças de D. Afonso III, em 1249.

Foram concedidas Indulgências para quem combatia na Península Ibérica. Para além dos Reinos da Península Ibérica, envolvidos directamente nas lutas, e que combateram valorosamente os Mouros, foi obtida ajuda por parte dos Flamengos e dos Ingleses.

A vitória mais significativa nesta Cruzada Peninsular foi a obtida por Dom Afonso Henriques, o Rei Fundador de Portugal, na Batalha de Ourique, em que ele tem uma Aparição de Jesus, que lhe promete a vitória:

Aparição de Jesus a D. Afonso Henriques, em 24 de Julho de 1139.

Crónicas de D. Afonso Henriques de Frei António Brandão.

  Tem confiança, porque, não só vencerás esta batalha, mas todas as mais que deres aos inimigos da Fé Católica.”

 

 A vitória na Batalha de Ourique, a 25 de Julho de 1139, foi um marco determinante desta verdadeira Cruzada contra os Mouros na Península Ibérica, em que Dom Afonso Henriques vence estrondosamente os Mouros, Muçulmanos, que acabaram por ser totalmente expulsos, um século depois, do território que se viria a tornar no Reino de Portugal.

Com a vitória desta batalha, Dom Afonso Henriques sagra-se Rei de Portugal e inicia a expulsão, para o norte de África, dos centenários inimigos da Fé Católica e consolida o domínio sobre todo o território nacional, colocando-o sob a protecção da Igreja Católica.

Apresento seguidamente alguns extractos sobre a Fundação de Portugal, retirados do Capítulo VIII do GPS.

CVIII37 - O papel de Portugal nestes Últimos Tempos

Ainda nos tempos da Reconquista em que Portugal não estava formado, já Jesus Cristo olhava com um carinho especial para a Nação que o havia de defender e divulgar por todo o mundo, para a terra que havia de ser a terra de Sua Mãe Santíssima, a Terra de Santa Maria.

Na véspera da batalha de Ourique contra os Mouros, Jesus Cristo aparece a D. Afonso Henriques.

Já com os exércitos dispostos para no dia seguinte ser travada a batalha, e para a qual os números indicavam uma tremenda derrota para os portugueses, pois contando só com 12.000 homens iam defrontar um exército de Mouros que alguns cronistas avaliam em cem vezes maior, Jesus Cristo aparece ao futuro fundador e primeiro Rei de Portugal.

Naquele tempo, estava em formação o Reino de Portugal, agora está em formação o Novo Reino de Cristo na Terra, os Novos Céus e Nova Terra.

Oração e sonho de D. Afonso Henriques, em 24 de Julho de 1139.

Crónicas de D. Afonso Henriques de Frei António Brandão.

… e com o coração inflamado e olhos postos em o Céu, rompeu nestas palavras:

«Bem sabeis vós, meu Senhor Jesus Cristo, que por vosso serviço, e pela exaltação de vosso santo nome, empreendi eu esta guerra contra vossos inimigos; e vós, que sois todo-poderoso, me ajudai nela, animai e dai esforço a meus soldados, para que os vençamos, pois são blasfemadores de vosso santíssimo nome».

Ditas estas palavras lhe sobreveio um brando sono, … 

Aqui como na Bíblia, os acontecimento passados são precursores de acontecimentos futuros. A História se repete.

Também hoje os portugueses se encontram face aos blasfemadores de Deus, tal como vimos anteriormente, pois esse é o papel da maçonaria, blasfemar contra Deus. Esta oração de D. Afonso Henriques, é a oração que todos nós devemos aprender dele para a repetir nestes nossos dias.

Neste sonho teve a visão de um velho eremita, que de facto lhe veio interromper o seu sono e lhe deu boa esperança para a batalha do dia seguinte.

Mal se afastou o eremita, começou D. Afonso Henriques a rezar.

Aparição de Jesus a D. Afonso Henriques, em 24 de Julho de 1139.

Crónicas de D. Afonso Henriques de Frei António Brandão.

 

Saíu fora da tenda o bom velho e tornou a sua ermida, e o infante, esperando pelo sinal prometido, gastou em oração afervorada todo o espaço da noite até à segunda vigia, na qual ouviu o som da campainha; armado então com seu escudo e espada saíu fora dos arraiais, e, pondo os olhos no Céu, viu da parte oriental um esplendor formosíssimo, o qual pouco e pouco se ia dilatando e fazendo maior. No meio dele viu o salutífero sinal da santa Cruz, e nela encravado o Redentor do mundo, acompanhado em circuito de grande multidão de anjos, os quais em figura de mancebos formosíssimos apareciam ornados de vestiduras brancas e resplandecentes, e pôde notar o infante ser a Cruz de grandeza extraordinária, e estar levantada da terra quási dez côvados.

Com o espanto de visão tão maravilhosa, com o temor e reverência devidos à presença do Salvador, pôs o infante as armas que levava, tirou a vestidura real, e descalço se prostrou em terra e, com abundância de lágrimas, começou a rogar ao Senhor por seus vassalos, e disse:

«Que merecimentos achastes, meu Deus, em um tão grande pecador como eu para me enriquecer com mercê tão soberana?

Se o fazeis por me acrescentar a fé, parece não ser necessário, pois vos conheço desde a fonte do Baptismo por Deus verdadeiro, filho da Virgem Sagrada, segundo à humanidade, e do Padre Eterno por geração divina. Melhor seria participarem os infiéis da grandeza desta maravilha, para que, abominando seus erros, vos conhecessem».

O Senhor então com suave tom de voz que o príncipe pôde bem alcançar, lhe disse estas palavras:

«Não te apareci dêste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração nesta empresa, e fundar os princípios de teu Reino em pedra firmíssima. Tem confiança, porque, não só vencerás esta batalha, mas todas as mais que deres aos inimigos da fé católica. Tua gente acharás pronta para a guerra, e com grande ânimo pedir-te-á que com título de rei comeces esta batalha; não duvides de o aceitar, mas concede livremente a petição porque eu sou o fundador e destruidor dos Impérios do mundo, e em ti e tua geração quero fundar para mim um reino, por cuja indústria será meu nome notificado a gentes estranhas. E porque teus descendentes conheçam de cuja mão recebem o reino, comprarás as tuas armas do preço com que comprei o género humano (as cinco Chagas e os trinta dinheiros), o daquele por que fui comprado dos judeos, e ficará este reino santificado, amado de mim pela pureza da Fé e excelência de piedade».

O infante Dom Afonso, quando ouviu tão singular promessa, se prostrou de novo por terra e, adorando ao Senhor, lhe disse:

«Em que merecimentos fundais, meu Deus, uma piedade tão extraordinária como usais comigo? Mas já que assim é, ponde os olhos de vossa misericórdia em os sucessores que me prometeis, conservai livre de perigos a gente portuguesa, e, se contra ela tendes algum castigo ordenado, peço-vos o deis antes a mim e a meus descendentes, e fique salvo êste povo, a quem amo como único filho».

A tudo deu o Senhor resposta favorável, dizendo como nunca dêle, nem dos seus, apartaria os olhos de sua misericórdia, porque os tinha escolhidos por seus obreiros e segadores, para lhe ajuntarem grande seara em regiões apartadas.

Com isto desapareceu a visão, e o infante Dom Afonso, cheio de fortaleza e júbilos de alma, quais se deixão entender, fêz volta para os arraiais e se recolheu em sua tenda.

Nota: O Português deste texto está em arcaico…

 

De igual modo, a semelhança da Cruz Luminosa que se estenderá de oriente a ocidente falada pela Virgem Maria ao Padre Gobbi, não deixa de nos vir à memória, e que vimos nas páginas anteriores.

Padre Gobbi 14 de Setembro de 1995

A Sua Cruz luminosa, que se distenderá no céu, do oriente ao ocidente, indicará a todos vós o retorno de Jesus na Glória.

Aqui o grande respeito demonstrado por Dom Afonso face a Jesus é grande ensinamento para as gentes de hoje em dia.

Parece que Jesus escutou esta prece de Dom Afonso Henriques e vai fazer o que ele lhe pediu, mostra-se ele e a Sua Mãe Santíssima, a todo o mundo, aos mouros de hoje em dia, para que eles os vendo se possam converter.

Jesus anuncia que é através de Portugal que se vai dar a conhecer a muitos povos. 400 anos mais tarde, Portugal dá novos mundo ao mundo e leva a Fé Católica a muitos povos.

 A Virgem Maria, na sequência desta dádiva de Jesus, anuncia em Fátima que sempre se manterá o dogma da Fé em Portugal.

 A estas petições de D. Afonso Henriques, Jesus concede a sua promessa. É chegada a hora dos portugueses através do seu Rei, pedir de novo clemência e misericórdia, lembrando a promessa que Jesus nos fez, e retomando a postura de humildade que o nosso primeiro rei teve face a Jesus Cristo.

 Nos séculos XV e XVI, Portugal cumpre o que Jesus lhe destinara, levando a terras distantes a Fé Católica e dando assim a conhecer Jesus Cristo:

- «Quero fundar para mim um reino, por cuja indústria será meu nome notificado a gentes estranhas».

Nestes tempos difíceis que Portugal atravessa, temos de nos lembrar da promessa que Jesus nos deixou:

- «Tem confiança, porque, não só vencerás esta batalha, mas todas as mais que deres aos inimigos da Fé Católica».

Os Espanhóis também continuam as guerras na Península Ibérica contra os Mouros, mas só no século XV conseguem expulsá-los definitivamente do seu território.

 

() A Cruzada Albigense - 1208

Considero no âmbito das Cruzadas do Ocidente, a Cruzada Albigense.

A Cruzada Albigense foi levada a cabo pelo Papa Inocêncio III contra o  Catarismo, seita herética criada em 1143, que pregava o dualismo, isto é, a existência de dois deuses, um do bem e outro do mal. Para pôr fim a esta heresia, foi dirigida a Cruzada contra as cidades de Albi, Toulouse e Carcassone, no Languedoc, sul de França, em 1208, últimos redutos dos Cátaros, “sedes de Satã”, durante todo o século XIII e parte de XIV. Foi também criada a Inquisição, em 1229, para erradicar os Cátaros remanescentes.

 

 As Cruzadas do Oriente - 1096 - 1270 

Os turcos Seljúcidas acentuaram a guerra contra os cristãos, esmagaram as forças bizantinas em Manziquerta, em 1071, conquistando, assim, o leste e o centro da Anatólia, e Jerusalém em 1078.

Perante esta ameaça, o Papa Urbano II convocou o Sínodo de Clermont, a 27 de Janeiro de 1095, onde exortou os nobres, povo e prelados franceses a libertarem a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob soberania Cristã, apresentando essa expedição Militar sob uma forma de penitência e de obtenção de Indulgências. Foi de tal maneira inflamado o seu discurso, que a multidão presente respondeu em coro:

   «Deus o quer!»

Esta pregação do Papa Urbano II foi secundada por Pedro o Eremita, que percorreu o território entusiasmando o povo, que rapidamente se transformou numa legião de trabalhadores e infortunados.

Foi assim que se formou a Cruzada Popular.

() A Cruzada Popular de 1095 a 1096

E lá partiu a Cruzada dos Pobres a caminho da Terra Santa em 1095, mas acabaram por ser todos dizimados pelos turcos Seljúcidas. A caminho da Terra Santa foram atacando infiéis que viviam na Europa e que não aceitaram a conversão ao Cristianismo. Assim, Pedro o Eremita foi vendo as suas tropas debilitadas e incapazes de vencer o inimigo na Ásia Menor. Quando chegaram a Constantinopla, hoje Istambul, estavam mal equipados e mal alimentados e foram acolhidos por Aleixo I, que os alojou fora da cidade e os tentou demover de saquearem a cidade. Mas foi mal sucedido... Durante um mês, os Cavaleiros Turcos só observaram o que se ia passando em redor do acampamento Cristão.

Finalmente, estes pobres Cristãos partiram para atacar a fortaleza de Niceia, actual Iznik, que conseguiram conquistar. Não se aperceberam no entanto que tinha sido uma ratoeira armada pelos turcos. Depois de ficarem sem água, que foi cortada pelo sultão turco, ao fim de uma semana, foram cercados e dizimados.

Não admira que aquela multidão de homens simples seguissem cegamente o Eremita e partissem para uma guerra desigual, como carneiros para o matadouro, pois o Papa Urbano II tinha prometido, por Circular enviada aos Bispos, a remissão dos pecados e a amnistia por quaisquer crimes, e que as suas famílias ficariam sob protecção Eclesiástica.

Mapa das 4 Primeiras Cruzadas

 

() Primeira Cruzada de 1096 a 1099

A Primeira Cruzada, propriamente dita, foi na realidade a dos Nobres e Cavaleiros, chefiada por Godofredo de Bulhão, duque de Lorena. Também para esta Cruzada, o Papa Urbano II prometera que todos os que morressem em batalha contra os Muçulmanos, teriam garantida a Salvação Eterna.

As forças concentraram-se em Constantinopla, hoje Istambul, e continuaram para a Ásia Menor, onde as lutas e as dificuldades foram muito grandes. Godofredo de Bulhão prometera ao Imperador do Império Bizantino, cuja capital era Constantinopla, que lhe devolveria as terras conquistadas pelos Muçulmanos. Conquistaram os Condados de Edessa, Antioquia e Tripoli, que formaram o Reino Latino de Jerusalém, e que foi entregue à administração de Godofredo de Bulhão, que ficou com o título de Barão e Defensor do Santo Sepulcro.

Ao fim de 3 anos atingiram Jerusalém que conquistaram em 1099, depois de um cerco de 30 dias, numa sexta-feira às 3 horas da tarde, precisamente no dia e hora em que morrera Jesus. Foi sangrenta a batalha e violento o saque. Mas conseguiram o objectivo que era reconquistar Jerusalém. Foi no seu cômputo geral bem sucedida.

Hoje em dia, em muita da história escrita por inimigos da Igreja Católica, encontra-se muita adjectivação e críticas à actuação dos Cruzados, não sendo por isso fidedignos muitos dos relatos que circulam na net e em certas publicações.

 

(()) A criação das Ordens Militares

Para defender o Reino Latino de Jerusalém foram criadas as Ordens Religiosas Militares, com os monges-cavaleiros:

Ordem dos Hospitalários ou Cavaleiros de São João, mais tarde apelidada de Ordem de Malta - Instituída, em 1113, para refúgio e auxílio a Cruzados. Funcionava no hospital dedicado a São João. Consentiu, mais tarde, a entrada de Cavaleiros, tornando-se numa Ordem Militar. A sua sede mudou mais tarde para Rodes na ilha de Malta e daí ter mudado de nome para Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta.

Ordem Teutónica - formada por cavaleiro alemães em 1187.

Ordem dos Templários

A Ordem dos Templários fundada em 1199 e que funcionava junto do local onde outrora fora o Templo de Jerusalém. A Regra desta Ordem dos Templários foi escrita por São Bernardo de Claraval, grande devoto da Virgem Maria e que escreveu a Oração Memorare. Foi São Bernardo que escreveu a última parte da Salvé-Rainha. Foi também São Bernardo que começou a tratar a Virgem Maria por Nossa Senhora.

A frase indelevelmente associada aos Templários é:

Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo ad Gloriam!    (Não por nós Senhor, não por nós, mas para a glória de Teu nome!)

Ordem dos Templários e a sua máxima

No ano 1118, Jerusalém já era um território Cristão. Assim, nove monges veteranos da primeira Cruzada, entre eles Hugh de Payen, dirigiram-se ao rei de Jerusalém Balduíno I e anunciaram a intenção de fundar uma ordem de monges guerreiros.

Os denominados Pobres Cavaleiros de Cristo instalaram-se numa parte do palácio que foi cedida por Balduíno, um local que outrora fora o Templo de Salomão. Por isso ficaram conhecidos como Cavaleiros do Templo, ou Cavaleiros Templários.

A Ordem desenvolveu uma estrutura básica e organizou-se numa hierarquia composta desde os sacerdotes até os soldados.

O sustento dos Templários provinha de imensas fortunas doadas por vários reinados. A propóssito destas doações, Filipe IV ficou a dever fortunas à Ordem dos Templários.

Os soldados Templários recebiam treinamento bélico; combatiam ao lado dos Cruzados na Terra Santa; conquistavam terras; administravam povoados; extraíam minérios; construíam castelos, catedrais, moinhos, alojamentos e oficinas; fiscalizavam o cumprimento das leis e intervinham na política européia, além de aprimorarem o conhecimento em medicina, astronomia e matemática.

O poder dos Templários tornou-se maior que a Monarquia e a Igreja. Devido a intrigas suscitadas por Filipe IV, que não conseguia pagar as suas dívidas aos Templários, começou a manipular o Papa Clemente V, que lhe devia favores, para que extinguisse os Templários, que começaram a ser injustamente perseguidos. Acabou por ser dissovida a Ordem, com o assassinato do seu último Grão Mestre Jacques de Molay, que depois de 6 anos de encarceramento e tortura, foi queimado na fogueira, donde proferiu as últimas palavras de maldição contra os que o perseguiram injustamente:

"NEKAN, ADONAI !!! CHOL-BEGOAL!!!

PAPA CLEMENTE... CAVALEIRO GUILHERME DE NOGARET... REI FILIPE…

INTIMO-OS A COMPARECEREM PERANTE O TRIBUNAL DE DEUS, DENTRO DE UM ANO, PARA RECEBEREM O JUSTO CASTIGO.

MALDITOS! MALDITOS! TODOS MALDITOS ATÉ A DÉCIMA TERCEIRA GERAÇÃO DAS VOSSAS RAÇAS!!!"

Jacques de Molay na fogueira

Clemente V morreu trinta e três dias depois, e o Rei Felipe, o Belo, em pouco mais de seis meses.

Perante as ordens do Papa no sentido de extinguir os Templários e executar os seus cavaleiros, o Rei D. Dinis de Portugal instaurou um processo de inquérito de forma a averiguar sobre a culpa ou inocência desses cavaleiros. O inquérito concluiu que os cavaleiros da Ordem dos Templários estavam inocentes de todas as acusações. Em virtude disso, nenhuma morte ocorreu.

Mais do que isso, o Rei de Portugal Dom Dinis, resolveu o assunto com extrema inteligência e diplomacia: Retirou todos os bens materiais da Ordem dos Templários, e transferiu-os para uma nova Ordem que criou ao abrigo da Coroa Portuguesa.

Deu a essa nova Ordem o nome de Ordem de Cristo, cujo o símbolo era precisamente a famosa Cruz da Cristo vermelha num fundo branco.

Ordem de Cristo

Em 1319, nascia assim a Ordem de Cristo, provavelmente um dos últimos redutos na Europa onde os Templários continuaram a existir e a viver, na persecução das suas santas metas, e conservando os seus míticos segredos.

O Infante D. Henrique, Pedro Alvares Cabral, Vasco da Gama entre outros, foram todos eles membros da Ordem de Cristo, ou seja: Templários.

Infante D. Henrique, Pedro Alvares Cabral e Vasco da Gama

As naus que aportaram no Brasil traziam a bandeira desta nova Ordem - a Ordem de Cristo. Pedro Álvares Cabral seria não apenas um navegador, mas um dos altos comandantes da Ordem de Cristo, que fez uso dos mapas e cartas de navegação dos Templárias para "descobrir" o Brasil.

 

() Segunda Cruzada de 1147 a 1149

Os Muçulmanos reconquistaram o Condado de Edessa e foram a gota d’água que fez com que Luís VII, Rei de França e Conrado III, Imperador da Alemanha, arrebatados pela pregação de São Bernardo de Claraval, organizassem a Segunda Cruzada.

Os Cruzados foram dizimados e não obtiveram resultados satisfatórios.

 

 

() Terceira Cruzada de 1189 a 1192

Jerusalém foi reconquistada por Saladino, sultão do Egipto e nova Cruzada foi pregada pelo Papa Gregório VIII e contou com a participação dos três Reis mais poderosos da Europa - Filipe Augusto, Rei de França, Frederico Barba Ruiva, da Alemanha e Ricardo Coração de Leão de Inglaterra. Esta Cruzada ficou conhecida pela Cruzada dos Reis.

Só conseguiram a conquista de São João de Acre e não libertaram Jerusalém. No entanto, Ricardo Coração de Leão acabou por chegar a um acordo com Saladino, para que os cristãos mantivessem o direito de peregrinação a Jerusalém, desde que desarmados. Jerusalém continuou nas mãos dos Muçulmanos. Ricardo Coração de Leão morreu na Ásia Menor por tomar um banho depois de comer.

 

 

() Quarta Cruzada de 1202 a 1204

O Papa Inocêncio III pregou mais uma Cruzada para libertar Jerusalém. Só acorreram os senhores feudais. Esta Cruzada desviou-se dos seus objectivos e acabou com a conquista e saque de Constantinopla, sendo substituído o Império Bizantino pelo Império Latino de Constantinopla. A ganância dos senhores feudais, esqueceram a Terra Santa, e fez com que se destruíssem muitos tesouros artísticos em Constantinopla, para ficarem com o ouro e jóias que os ornamentavam.

 

 

() Quinta Cruzada de 1216 a 1221

A partir desta Cruzada, elas perderam o carácter religioso. Reinava mais o interesse lucrativo que o ardor da Fé. A Cruzada foi pregada pela Papa Inocêncio III e só acorreu André, Rei da Hungria.

Conseguiu algumas vitórias mas não obteve os resultados pretendidos.

 

 

() Sexta Cruzada de 1228 a 1229

Esta Sexta Cruzada foi liderada pelo imperador Frederico II, que tinha sido excomungado pelo Papa. Para lhe ser levantada a excomunhão, partiu com um exército que foi diminuindo com as deserções. Aproveitando-se das discórdias entre os muçulmanos, Frederico II conseguiu, por intermédio da diplomacia, um tratado com o sultão, que lhe concedeu a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré por dez anos, onde podiam ser feitas peregrinações pelos Cristãos. Mas como este acordo não era duradouro e não satisfazia os objectivos traçados, voltou a ser excomungado pelo Papa. 

 

 

() Sétima Cruzada de 1248 a 1251

Esta Cruzada foi liderada por Luís IX, Rei de França. Luís IX foi preso pelo sultão do Egipto, e a sua libertação só obtida à custa de um enorme resgate.

O resultado desta Cruzada foi um inteiro desastre, fora o facto do Rei de França ter conseguido comprar ao Imperador de Constantinopla as Relíquias da Paixão de Cristo por uma fortuna imensa. Para guardar estas Relíquias, entre as quais estava a coroa de Espinhos, mandou construir em Paris a Sainte Chapelle, na ilha de la Cité no meio do rio Sena. Esta Coroa de Espinhos de Cristo, comprada ao imperador latino de Constantinopla, Balduíno II, custou a exorbitante soma de 135.000 libras. Para se ter uma ideia deste valor, a construção de toda a Capela custou 45.000 libras. Esta Capela, durante a Revolução Francesa, foi ocupada, saqueada e usada como armazém pelos camaradas e revolucionários maçónicos.

 

 

() Oitava Cruzada de 1270

Esta Cruzada também foi liderada por Luís IX, Rei de França, que mais tarde foi canonizado. O seu objectivo era converter o sultão de Tunis, no norte de África. Quando desembarcou foi logo atacado e uma grande epidemia dizimou as tropas e matou o próprio Rei.

O resultado desta Cruzada foi também desastroso.

 

 

() Era pós Cruzadas

Nos anos que se seguiram, aumentaram as perseguições aos peregrinos, contrariando o acordado. Em 1289, o sultão mameluco Qalawun investiu sobre o que restava do Condado de Tripoli, cercou a capital, Tripoli, e tomou-a depois de um sangrento assalto.

Em 1291 o sultão sitiou Acre, onde morreu e acabou com o último estado Cruzado independente na Terra Santa. Mesmo com o auxílio dos Templários, dos Hospitalares e Teutónicos, Acre não resistiu, caindo assim o último bastião dos Cristãos na Terra Santa.

Os poucos territórios estabelecidos pelos Cruzados que restavam no Médio  Oriente foram reconquistados pelos muçulmanos. O centro nevrálgico dos Cruzados acabou sendo na ilha de Chipre. Sua última posição segura na Terra Santa, a ilha de Rodes, foi perdida em 1303. O período das Cruzadas na Terra Santa estava terminado, quase duzentos anos depois do Papa Urbano II iniciar sua pregação no Sínodo de Clermont.

 

 A última Cruzada, a Batalha de Lepanto

A ameaça constante dos Muçulmanos e as lutas com eles, infelizmente, não acabaram com a era das Cruzadas, e se com o Ocidente correram bem, no Oriente correram mal. O Islão continuou os seus ataques e ameaças, até que se deu a estrondosa vitória dos Cristãos na Batalha de Lepanto, a 7 de Outubro de 1571, em que a Armada Católica, auxiliada pela Virgem Maria derrotou a poderosa frota Otomana, numa Cruzada tardia, mas bem sucedida.

Dom João de Áustria e o Papa Pio V antes de partir para Lepanto

A Batalha de Lepanto é lembrada como uma vitória da Igreja sobre o avanço dos Muçulmanos (Império Otomano) que pretendiam estender seus domínios e assim acabar com o Cristianismo na Europa. É uma vitória, que dependeu da aliança de Reis Católicos, muitos deles em conflito uns com os outros. Mas também é atribuída à intervenção da Virgem Maria do Rosário. O Papa São Pio V sempre confiou firme e piamente na Oração, especialmente do Rosário, no Jejum e na Penitência para alcançar essa vitória.

Dessa guerra surgiu o culto a Nossa Senhora da Vitória, Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos, e foi marcada também como a Festa de Nossa Senhora do Rosário, todos os títulos usados para a Virgem Maria durante e após, quando lembrada, a Batalha de Lepanto.

Em 1570, os Turcos Otomanos invadiram a Ilha de Chipre, que ia permitir aos turcos o domínio do Mediterrâneo.

Sob a égide e mediação do Pontífice Romano, começaram as negociações.

Com um discurso inflamado, o Papa Pio V convocou a todos para uma nova Cruzada. O Papa nomeia Dom João de Áustria como chefe da Armada Católica e lembra-lhe que ele ia combater pela Fé Católica e de que, por isso, Deus lhe daria a Vitória.

O Papa envia às tropas, já deslocadas, o estandarte da Liga Santa. Era de damasco de seda azul e ostentava a imagem de Jesus Crucificado, tendo aos seus pés as armas do Papa, da Espanha, de Veneza e de Dom João.

Estandarte da Liga Santa para a Batalha de Lepanto

A 6 de Outubro de 1570, chegou a notícia de que Famagusta, capital de Chipre, caíra em poder do Crescente e que o general Mustafá cometera as piores atrocidades com o comandante da praça, Marco Antonio Bragadino, a quem mandou esfolar vivo e cuja pele, cheia de palha, fez circular por toda a cidade.

Dom João de Áustria, para preservar o carácter sacral da expedição, tomou as seguintes Medidas Morais:

1) Proibiu a presença de mulheres a bordo.
2) Cominou pena de morte para os que proferissem blasfémias.
3) Enquanto esperava o regresso de uma esquadrilha de reconhecimento, determinou que todos jejuassem três dias e que todos os 81.000 marinheiros e soldados se confessassem e comungassem, e o mesmo deviam fazer os condenados que remavam nas galeras.

A frota turca contava com 286 navios contra os 208 navios da frota Cristã. O vento soprava de leste, favorável aos infiéis, enquanto que os católicos tinham que se mover à força de remos.

O comandante supremo passou em revista as tropas e apresentou-se aos nobres e à tripulação de cada nau, levando na mão um Crucifixo, e conclamava com ardor para o combate iminente:

“Este é o dia em que a Cristandade deve mostrar o seu poder, para aniquilar esta seita maldita e obter uma vitória sem precedentes.”

E, mais adiante:

“É pela vontade de Deus que viestes todos até aqui, para castigar o furor e a maldade destes cães bárbaros. Todos cuidem de cumprir seu dever. Ponde vossa esperança unicamente no Deus dos Exércitos, que rege e governa o mundo e o universo.” A outros dizia:

“Lembrai-vos de que combateis pela Fé: nenhum poltrão ganhará o Céu.”   

Distribuía Escapulários, Medalhas e Rosários.

O Vento mudou inesperadamente! O primeiro tiro que partiu contra os infiéis, afundou-lhes uma galera. Aos gritos de “Vitória. Vitória. Viva Cristo!”, os Cruzados lançaram-se com toda a energia para a batalha.

Seguiu-se um encarniçado e terrível combate.

O generalíssimo dos infiéis foi morto e o seu corpo foi arrastado até os pés de Dom João. Um soldado espanhol avançou sobre ele e cortou-lhe a cabeça. Esta, por ordem do Príncipe, foi então erguida na ponta de uma lança para que todos a vissem. Um clamor de alegria vitoriosa levantou-se da capitania Católica. Os turcos estavam derrotados, e o pânico espalhou-se de imediato entre as hostes inimigas a partir do momento em que o estandarte de Cristo começou a drapejar sobre a “sultana”. Os restos da esquadra inimiga bateu em retirada e dispersou-se.

Soube-se depois que, no maior fragor da batalha, os soldados Muçulmanos tinham avistado acima dos mais altos mastros da Esquadra Católica, uma Senhora que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador.

A Virgem Maria avistada sobre os mastros da frota Católica na Batalha de Lepanto

 

Em Roma, o Papa aguardava notícias.

- Redobrara de orações e jejuns pela vitória e instava para que Monges, Cardeais e fiéis rezassem o Rosário e jejuassem pela mesma intenção.
- Confiava na eficácia do Rosário.

No dia 7 de Outubro de 1571 o Papa trabalhava com seu Tesoureiro, Donato Cesi, o qual lhe expunha problemas financeiros. De repente, afastou-se dele, abriu uma janela e entrou em êxtase. Logo depois voltou-se para o Tesoureiro e disse-lhe:

“Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar Graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer.” E dirigiu-se para a sua Capela para Rezar!

Visão do Papa Pio V

Só duas semanas depois chegam as notícias da vitória. Na noite do 21 para 22 de Outubro, o cardeal Rusticucci acordou o Papa, para confirmar a visão que ele tinha tido!

 

 Conclusões

O Espírito das Cruzadas deve ficar nas nossas mentes para que não esqueçamos os sacrifícios que muitos Cruzados fizeram em defesa e prol da Igreja Católica e da Terra Santa.

Devem ecoar nos nossos corações as promessas de Jesus Cristo, feitas na Aparição a Dom Afonso Henriques:

Aparição de Jesus a D. Afonso Henriques, em 24 de Julho de 1139.

Crónicas de D. Afonso Henriques de Frei António Brandão.

  “Tem confiança, porque, não só vencerás esta batalha, mas todas as mais que deres aos inimigos da Fé Católica. … E em ti e tua geração quero fundar para mim um Reino, por cuja indústria será Meu nome notificado a gentes estranhas.”



www.amen-etm.org/Cruzadas.htm